14 Fevereiro 2020

Falta de chuvas compromete ainda mais as lavouras de soja do Rio Grande do Sul

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As lavouras de soja do Rio Grande do Sul, em geral, apresentam bom desenvolvimento, mas a falta de chuvas da última semana deve comprometer ainda mais a produtividade (já afetada) da cultura. Segundo a Emater-RS, os produtores estão preocupados e aguardam a ocorrência de chuvas adequadas.

No estado, as lavouras se dividem nas seguintes fases: 12% em desenvolvimento vegetativo, 32% em floração, 51% em enchimento de grãos e 5% madura e por colher.

De forma geral, o desenvolvimento da cultura foi moderado no período, mas com ritmos diferentes conforme a ocorrência das chuvas e o teor de umidade no solo.

“Nas áreas onde as precipitações atingiram volumes adequados, as perspectivas de produtividade são normais; mas nos locais onde as precipitações foram em menor volume, a soja apresenta sintomas de déficit hídrico e já estão consolidadas perdas em relação à estimativa inicial”, diz a Emater-RS.

No geral, e embora as lavouras apresentem boas condições de desenvolvimento, os produtores estão preocupados porque na semana choveu pouco e o calor foi intenso, com alta evapotranspiração e redução da umidade do solo.

Segundo a Emater, nas áreas implantadas em final de setembro e outubro com cultivares de ciclo precoce, assim como outras lavouras semeadas em solos rasos, o rendimento ficou prejudicado de forma irreversível, pois estavam nas fases de floração e enchimento de grãos no período de déficit hídrico e temperaturas elevadas, ocorridas em dezembro e início de janeiro.

“Já as lavouras semeadas em novembro apresentam bom aspecto, recuperando o potencial produtivo inicial com as chuvas ocorridas a partir da segunda quinzena de janeiro”, diz.

Muitas lavouras estão desuniformes e apresentam baixo estande de plantas devido aos problemas de germinação decorrentes da estiagem.

“Em função disso, já há uma redução no potencial produtivo das lavouras. Será determinante para a produtividade da cultura a ocorrência de chuvas adequadas no próximo período, para não haver perdas maiores ainda.”

As chuvas que ocorreram no período foram esparsas, localizadas e com volumes bastante variados nos municípios da região e, em geral, não atenderam as necessidades da cultura. Já há perdas de produtividade em relação à prevista inicialmente, mas ainda há possibilidade de as lavouras atingirem produção razoável.

“As perdas são maiores em alguns municípios, como em Capão do Leão. O manejo da cultura segue com a aplicação de inseticidas para controle de lagartas, principalmente com o uso dos inseticidas denominados fisiológicos; também é realizada a aplicação de fungicidas para o controle preventivo das doenças”, diz a Emater.

De forma geral, as precipitações não foram significativas na semana, e a cultura começa a sentir os efeitos do déficit hídrico, com desenvolvimento diferenciado nos diversos municípios, afirma a Emater-RS.

As lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo, mas a situação começa a ficar crítica pela falta de umidade no solo, principalmente nas áreas que estão em enchimento de grão. “Caso não ocorram precipitações durante a próxima semana, haverá perdas significativas.”

Faltam chuvas e volta a preocupação com a produtividade das lavouras. As plantas apresentam porte abaixo do esperado, e as lavouras emergidas recentemente apresentam falhas; estima-se que o replantio tenha sido realizado em cerca de 10% da área.

A falta de chuvas associada às altas temperaturas ocasiona estresse hídrico, e as plantas apresentam abortamento de flores, vagens e secamento das folhas basais, apontando para o comprometimento da produtividade.

A entidade estima perdas na produção, que aumentarão se não chover nessa semana, principalmente nas áreas mais arenosas nas quais há ocorrência de mortalidade em “manchas” de lavouras.

A falta de chuvas na semana afetou negativamente as lavouras, principalmente as implantadas com cultivares de ciclo precoce que estão na fase de enchimento de grãos, observando-se grande perda de folhas, vagens e amarelecimento das plantas até o terço superior.

“Já as lavouras de ciclo médio, que estão em fase de floração e em início de enchimento dos grãos, têm maior capacidade de recuperação se chover nos próximos dias.”

A redução das precipitações dos últimos meses prejudicou o desenvolvimento da cultura, com pequena perda de produtividade; as perdas maiores ocorrem em Camargo, Casca, Ernestina, Nova Alvorada e São Domingos do Sul.

O aspecto geral das lavouras é bom; apresentam boa recuperação, tanto em altura como em número de ramificações laterais, o que compensa em parte as falhas de plantio ocorridas na época da semeadura por falta de umidade do solo.

“Entretanto, algumas lavouras apresentam folhas enroladas devido ao estresse hídrico ocorrido na semana, quando o teor de umidade do solo caiu em função de baixa precipitação, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar. Sofrem especialmente aquelas lavouras implantadas com baixo uso de tecnologia e estabelecidas sobre áreas pedregosas ou com grau maior de compactação.”

Conforme avança o ciclo da cultura, observa-se que as precipitações não têm respondido à demanda hídrica; isso ocorre de forma mais acentuada nas lavouras semeadas em final de outubro e início de novembro, que estão em formação dos grãos.

“Já há redução no potencial produtivo e as perdas tendem a aumentar nos próximos dias se não houver volume adequado de chuvas. Em algumas áreas colhidas, a produtividade variou entre 2.500 e três mil quilos por hectare”, diz a Emater.

O aspecto geral das lavouras é muito bom; porém, em função do baixo volume de precipitações, há redução no número de vagens nas variedades precoces e também no número de grãos por vagem, bem como no peso dos grãos.

Segundo a Emater, as perdas nestas lavouras são significativas, mas estas áreas representam menos de 10% da área total cultivada na região. Para as cultivares de ciclo normal e tardias, a falta de umidade está provocando o abortamento de vagens, e a produtividade poderá ficar comprometida caso não ocorra chuva nos próximos dias.

“Nas primeiras lavouras colhidas na região, a produtividade variou entre 40 e 50 sacos por hectare.”


Fonte Canal Rural

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