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03 Julho 2020

Ciclone bomba: produtores relatam clima de terror com ventania no RS

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“A minha família mora toda no interior e o que se viu ontem foi muito assustador. Minha mãe estava com a minha sobrinha dentro de casa e disse que, sem mais nem menos, veio uma chuva e um vento muito forte. Barulhos que lembram tiros assustaram a todos, mas na verdade eram as telhas sendo levadas”

O relato acima é de uma produtora rural que mora na cidade de Tapejara, no norte do Rio Grande do Sul. Francieli Mezomo Frigeri é apenas uma entre vários produtores rurais que viram com muita preocupação a passagem de um ciclone bomba que deixou um rastro de destruição em Santa Catarina, Paraná e no Rio Grande do Sul.

Segundo ela, o maior susto foi na região onde vivem o seu pai, Israel Antônio Mezomo 60 anos, e a avó, Alice Dalpinzol Mezomo, 84 anos. “A minha nona, até pela idade, se assustou muito. Ela contou que as laranjas do pomar quebraram o vidro da janela e foram entrando na casa”, comenta.

Francieli, que produz trigo, cevada e soja, calcula um prejuízo de pelo menos 30 mil reais na pequena propriedade da família.

“A granja terá que ser toda refeita. Ali tínhamos porcos e coelhos, e alguns animais saíram machucados  da ventania. O galinheiro também foi destelhados e acabamos perdendo toda a lenha da casa, que também ficou sem telha”, relembra.

Com tanta destruição, esta quarta, 1º, foi um dia de muito trabalho para toda a família. “Serão dias para arrumar tudo o que foi destruído em questão de poucos minutos. O temporal vem e leva tudo”, disse. Segundo ela, as criações são para consumo próprio. Na fazenda, o pai produz milho e soja.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou, em boletim, que 1.372 edificações foram danificadas por vendavais nesta quarta-feira, 1º. Cerca de 2.238 pessoas ficaram desalojadas.

De acordo com o documento, em Áurea (RS), houve muitos estragos na área rural, afetando estruturas de silos e aviários.

De acordo com a Somar Meteorologia, um ciclone é um intenso sistema de baixa pressão atmosférica (onde os ventos giram no sentido horário), e que se forma muitas vezes na costa da região Sul . Eles recebem os nomes de tropicais, extratropicais ou subtropicais dependendo da região de formação e alguns outros fatores mais complexos. A pressão no centro de um ciclone é medida em ”hPa” (hectopascal).

A formação deste ciclone extratropical na terça-feira é bastante comum nesta época do ano e está associado com a formação de frentes frias. “O que não é tão comum, é a queda rápida de pressão no centro do ciclone, como aconteceu”, disse a Somar Meteorologia

Um ciclone ‘bomba’ nada mais é do que uma área de baixa pressão, que apresenta uma queda mais rápida na pressão atmosférica de 24 hPa ou mais em um período de 24 horas. “Este fator é o que diferencia um ciclone normal e um ciclone ‘bomba’.


Fonte Canal Rural