04 Agosto 2020

Sem bactérias e fungos: cama do aviário deve ser trocada uma vez por ano

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Na granja do produtor Diego Odair Tofanin, em Bragança (SP), o intervalo entre lotes é sempre um momento de muito trabalho. Um dos procedimentos realizados no período é a fermentação da cama para eliminação de agentes patológicos, mas, uma vez por ano mais ou menos, a cama utilizada ao longo de aproximadamente seis lotes é substituída por uma nova. Um veículo apropriado vem retirar o substrato fermentado da propriedade, e até a cama nova chegar o produtor ainda tem alguns dias de vazio sanitário para realizar procedimentos complementares de biosseguridade. “Precisamos raspar o aviário para eliminar os resíduos da cama anterior, varrer e lavar a estrutura”, explica Diego. 

Os procedimentos para a troca da cama começam logo após a saída das últimas aves do lote anterior. O processo de fermentação dura aproximadamente sete dias. “Após a retirada do substrato, a remoção dos resíduos de matéria orgânica do lote anterior pode ser manual ou automática. O Diego tem um trator muito útil para roçar a propriedade que também auxilia nos processos de raspagem e lavagem do aviário, porque tem capacidade para até 400 litros de água. Ele ganha em agilidade e poupa mão de obra, ainda que o processo de varrição seja manual”, explica o extensionista Fabiano Miqueleto. “O piso do meu aviário é de terra. Ele precisa ficar visível, lisinho”, diz Diego. 

A lavagem por etapas é de cima para baixo: começa no forro para retirada de matéria orgânica e pó, desce para as linhas de ração e água e continua nas cortinas laterais e nos exaustores. “Depois lavamos a parte externa do galpão. Para a desinfecção seguimos as orientações técnicas sobre os produtos que devem ser utilizados”, explica Diego. 

Uma mesma cama pode acomodar aproximadamente seis criadas por ano, mas, se algum lote apresentar problemas sanitários, o substrato deve ser trocado antes do prazo. O objetivo da troca a cada seis meses é tentar reduzir ao máximo a carga bacteriana ou viral. “Imagine seis lotes passando por aqui, aves defecando… Pode haver um desafio sanitário. Precisamos correr o menor risco possível de uma enfermidade acometer os animais, então,  quando tiramos a cama, estamos controlando o cascudinho, as moscas, reduzindo o volume de matéria orgânica e, consequentemente, de pragas”, diz o sanitarista Pedro Mota. 

Após a realização das etapas de fermentação e retirada da cama, lavagem e desinfecção do aviário, ainda há a etapa de análise para ter certeza de que está tudo pronto para a chegada da nova cama.  “O extensionista faz uma coleta de suabe de arrasto no chão e nos equipamentos do aviário, e o material é enviado para laboratório. Lá, é realizada uma pesquisa de salmonella. Dando negativo, o integrado está liberado para receber a nova cama e os próximos lotes. Mas, se der positivo, todos o procedimento devem ser realizados novamente. Será feita uma nova coleta e um novo teste, e o aviário só estará liberado quando apresentar negatividade”, explica Pedro. 

O Diego opta pela cama composta por pó de serra, mas também poderia ter optado por substratos como maravalha, casca de arroz ou amendoim. A origem da cama nova, ou ‘’negativa’, é controlada, e todos os fornecedores devem obedecer aos padrões de qualidade. “Todos eles sãopré auditados e passam por um checklist. A cama que o integrado recebe tem que ter uma espessura mínima de sete centímetros, mas, após receber alguns lotes de frango, ela fica bem mais espessa. Quando retirada do aviário, a cama tem entre 20 e 25 centímetros, um crescimento considerável do volume”, explica Pedro.  

O intervalo entre lotes dura aproximadamente 18 dias, período em que o Diego trabalha bastante, mas também aproveita para melhorar a renda. É que o produtor vende a cama fermentada utilizada nos lotes anteriores. “São 70 quilos por metro quadrado, ou seja: mais ou menos 170 toneladas de cama saíram do meu aviário. Como também sou produtor de frutas, eu uso o substrato como adubo orgânico na minha propriedade. O que eu não preciso utilizar eu vendo para os produtores vizinhos”, diz ele. O médico veterinário João Nelson destaca que para cama ser usada ou comercializada como adubo orgânico, a fermentação é indispensável. “Quanto mais matéria orgânica acumulada ao longo dos lotes, maior o acúmulo de bactérias”, explica.


Fonte Canal Rural

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